21 de jul de 2008

Contra a Física e a Lógica

Rodizio, restrição à circulação de caminhões, proposta de "pedágio urbano"... e uma saraivada de gente reclamando seu direito de ir e vir, de fazer uso de seu veículo, de exercer a sua liberdade. Julho está terminando e a volta às aulas traz a dura perspectiva de um trânsito ainda mais caótico para a cidade de São Paulo. Estima-se que as férias escolares reduzam o trânsito da Capital em até 20%, o rodízio municipal já retira 10% da frota das ruas todos os dias.
Em comum, as propostas que têm sido apresentadas para a solução deste quadro caótico têm dois ponto: A certeza da sua insuficiência para a solução real do problema e ausência de opções baseadas em outra alternativa que não a do transporte individual. Mesmo com a óbvia incapacidade do estado em expandir o alcance dos trens, metrôs e ônibus na proporção da demanda destes serviços, é curioso observar como São Paulo ainda reage mal à "ocupação"de vias públicas pelo transporte coletivo.
Numa espécie de surto de insanidade coletiva, tentamos desafiar heróicamente desafiar as leis da física: A não ser que dois corpos consigam ocupar o mesmo lugar no espaço, teremos que aceitar a impossibilidade de que cada um dos onze milhões de paulistanos dirija seu próprio veículo pelas ruas da cidade. É preciso mais do que investir em melhorias no sistema de transporte atual. São Paulo precisa de um novo sistema de transporte. Um que caiba dentro de seus generosos limites físicos. Parece um vaticínio óbvio, mas a despeito de todo o caos que vivemos nas ruas continuamos adicionando 650 automóveis a esse sistema sobrecarregado todos os dias e celebrando esse feito como uma forma bizarra de progresso.

Leia: Uma vida absurda, aceita como natural (José Correia Leite, no Diplô-BR)